
Com os pés no chão e as mãos dadas, Frente
Popular caminha para o quarto mandato
O conselho político da Frente Popular reuniu ontem pela manhã no parque das Acácias prefeitos, vereadores e lideranças políticas dos vinte e dois municípios acreanos, além da bancada de deputados, assessores e cargos comissionados, para prestigiar o anúncio da chapa majoritária que irá disputar as eleições de outubro.
No encontro havia de tudo. Desde militantes antigos e fundadores da coligação há 20 anos, como a ex-vereadora Francisca Marinheiro, até neogovernistas como o ex-deputado Osmir Lima e a ex-governadora Iolanda Fleming, ambos representando o PTB o ex-deputado Tarcísio Pinheiro.
A apresentação da chapa não foi nenhuma novidade, valeu mais pelos discursos inflamados feitos oradores, incluindo o prefeito de Rio Branco Raimundo Angelim, o ex-governador Jorge Viana, o deputado estadual Edvaldo Magalhães, o vice-governador César Messias e o senador Tião Viana, este pré-candidato ao governo.
A Frente Popular vai para o pleito de outubro representado por 14 partidos. Alguns são da base desde a fundação da coligação, como o PT, o PC do B, o PSB e o próprio PDT, que retornou para o governo há pouco menos de dois anos. Outros são partidos recém-chegados como o PHS, o PSDC, o PRP e o próprio PTB.
Ainda no encontro, o conselho político anunciou aquele que será o slogan de toda a campanha da Frente Popular durante as eleições: “pés no chão e mãos dadas para uma nova caminhada”. Praticamente todos os oradores fizeram questão de fazer menção a ela como forma de massificar a frase entre a militância.
Na abertura, o assessor político do governo, Francisco Carioca, fez questão de ressaltar os debates internos feitos até aquele momento para a montagem da chapa majoritária. “Não é fácil se praticar a democracia”, disse ele, referindo as discussões acaloradas que antecederam ao anúncio. Frisou que os debates servirão para a “trajetória vitoriosa da Frente Popular”.
Time titular
O primeiro orador foi o prefeito de Rio Branco Raimundo Angelim (PT). Destacando a necessária parceria que nenhuma prefeitura pode prescindir com o governo do Estado, ele disse que ao contrário dos partidos de oposição, que entrarão em campo com o time reserva, “nos estaremos com nosso time titular”.
O time titular ao qual Angelim faz referência é a pré-candidatura do senador Tião Viana ao Senado, tido por ele como um dos melhores senadores da atual Legislatura no Congresso Nacional, o ex-governador Jorge Viana e o Edvaldo Magalhães para compor a chapa ao Senado. Sobre Jorge, aliás, disse que o compromisso da Frente Popular é proporcional uma “votação histórica”.
Fez menção ao slogan que será usado na campanha e acrescentou que é necessário dar continuidade ao trabalho que vem Frente Popular vem realizando desde 1999 com o ex-governador Jorge Viana.
“Com o Jorge Viana aprendemos a cuidar e a zelar as coisas de nossa população. Temos que ter os pés no chão e a cabeça nas nuvens para que todos possam ter acesso ao trabalho, a uma educação que seja indutora de novas mudanças”, fez questão de frisar.
Angelim também conclamou a militância a estar vinte e quatro horas por dia na eleição da chapa majoritária que estava sendo apresentada. “É o início de uma nova caminhada e a materialização dos nossos sonhos”, afirmou o prefeito.
Jorge Viana: o motor da Frente Popular
O discurso mais emocionado ficou por conta do ex-governador Jorge Viana, considerado uma espécie de “motor” da Frente Popular. Foi também o discurso mais longo, mas nem por isso o mais enfadonho. Mesmo sem mandato, conseguiu manter a unidade interna e foi primordial na formação da chapa majoritária.
Conclamou a militância presente para enfrentar o novo desafio que se apresenta nas eleições de outubro e aproveitou para agradecer ao governador Binho Marques a forma generosa como tem levado até aqui o projeto político da Frente Popular. “Foi a primeira vez que uma substituição (referindo-se á sua saída do governo para a entrada de Binho) aconteceu na mais completa harmonia”, frisou.
Para Jorge, o irmão Tião Viana também tem um grande desafio pela frente que é dar continuidade aos doze anos de poder da Frente Popular. Há, ainda, de acordo com o ex-governador, um outro desafio pela frente que serão os novos representantes do Acre no Senado, “único espaço institucional onde o Acre é do tamanho de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro”.
Sobre a vaga ao Senado, não deixou de alfinetar o senador Geraldinho Mesquita (PMDB), eleito em 2002 pelo PSB e que deixou a Frente Popular por desentendimentos políticos. “Foi a vaga mais suada, a mais celebrada e que nos foi tirada gratuitamente. Esperamos sete anos sem rancor, sem ódio e agora o destino nos permite sonhar novamente”, afirmou.
Nova página na história
Quem também fez um discurso acalorado foi o presidente da Assembléia Legislativa (Aleac), o comunista Edvaldo Magalhães. Frisou que a coligação começa a escrever uma nova página de sua história, que começou há 20 anos. “Naquela época poucos apostavam que fôssemos ocupar espaços tão generosos na política acreana”.
Para Magalhães, construir uma unidade política quando se está na oposição não é algo tão difícil. A tarefa mais árdua, segundo ele, é construir essa mesma unidade quando se está no poder. Cita como exemplo de unidade o caso do governador Binho Marques, segundo o qual poderia muito bem estar disputando as eleições deste ano.
“O Binho (Marques) poderia muito bem reivindicar o direito de disputar a reeleição que ele teria nosso apoio, poderia muito bem reivindicar uma vaga ao Senado, que seria abraçado por todos nós, mas entendeu que não ser candidato seria o melhor para a unidade da nossa coligação”, afirmou.
Edvaldo também fez rasgados elogios ao vice-governador César Messias (PP), com o qual tem uma amizade pessoal e política de longos anos. “Quem quiser ser vice de qualquer coisa tem que se espelhar no exemplo de César Messias”, destacou.
O comunista fez questão de ressaltar ainda que uma candidato majoritário não se elege, é eleito. “Nessa nova caminhada estou deixando de ser o Edvaldo Magalhães do PC do B para ser o senador da Frente Popular”, disse.
Críticas à oposição
Os discursos inflamados dos pré-candidatos majoritários da Frente Popular não pouparam nem mesmos os adversários. O ex-governador Jorge Viana, por exemplo, disse que os dirigentes da oposição querem inclusive mexer na legislação para poder fazer os arranjos políticos. “São arranjos fora da lei”, ele disse.
Os arranjos aos quais Jorge Viana se refere é a composição do PMDB e do PSDB na chapa proporcional à Câmara dos Deputados, tendo cada um desses partidos um candidato próprio à sucessão do governador Binho Marques.
“Esses arranjos são feitos porque eles não confiam uns nos outros, não se entendem e não se respeitam. E não se respeitam porque se conhecem e é por isso que é perigoso entregar o comando do comando do Estado a pessoas com esse perfil”, disse o ex-governador.
No mesmo tom, Edvaldo Magalhães disse que os membros da oposição gastam energia vigiando uns aos outros para que não possam levar uma rasteira. Para o comunista, o maior problema dos membros da oposição é também a falta de confiança que uns tem em relação aos aliados.
Humildade para governar
O senador Tião Viana, pré-candidato ao governo, destacou a humildade e o sentimento como pré-requisitos fundamentais para se governar. Para ele, a política é o melhor caminho que existe para mudar a realidade de um povo. “Temos como grande desafio reduzir a pobreza e as desigualdades”, disse.
Ao usar a história, destacou três momentos em que, na história do país que representam verdadeiros símbolos. São eles: a campanha do petróleo é nosso, ainda no governo Vargas, a campanha pelas diretas, em 1984 e o movimentos dos “caras-pintadas”, em 1992, que resultou no impeachment do ex-presidente Fernando Collor.
No Acre, um desses momentos que representam o símbolo de nossa história é “Acre, o Estado da florestania”. Reconheceu que existem formas de caminhar diferentes, mas deu receita para reduzir a pobreza: a industrialização e a incorporação de novas tecnologias.
“Terei no mais, humildade cidadão um conselheiro para mim, porque não posso esquecer de coisas que são fundamentais, como a vida em comunidade. Muito mais do que um desafio, temos que colocar o coração na frente de nossas ações, pois precisamos pensar a política pelos sentimentos”, fez questão de frisar o senador.
Composição da chapa majoritária da Frente Popular
Governador – Tião Viana (PT)
Vice-Governador – César Messias (PP)
Senador – Jorge Viana (PT)
Senador – Edvaldo Magalhães (PC do B)
Primeiro suplente de Jorge Viana – Nilson Mourão (PT)
Segundo suplente de Jorge Viana – Gabriel Maia (PSB)
Primeiro suplente de Edvaldo Magalhães – Júlio Eduardo (PV)
Segundo suplente de Edvaldo Magalhães – Carlos Beiruth (PTB)



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