Familiares atendem último pedido de Edvaldo Guedes e o enterram no quintal da Cafuas

terça-feira, 6 de abril de 2010

Pelo numero de carros estacionados ao longo da Via Verde e de pessoas que se concentravam no pequeno espaço do sitio Cafuas não me Deixes nota-se que em vida Edvaldo Guedes cultivou muitas amizades.

Durante todo o dia foi um entra e sai de amigos que foram ver o corpo do ex-vereador e ex-deputado que foi sepultado às 17 horas ao lado do túmulo da mãe, no quintal da casa onde residiu por mais de 30 anos. Mas ninguém chorou, nem mesmo os dois filhos e a irmã que veio de São Paulo para o velório.

Temente e fiel a Deus, Edvaldo Guedes em uma das últimas entrevistas que deu ao jornalista Thércio Rocha, falou do grande sábio e escritor Salomão em Eclesiastes 3, citando “que todas as coisas têm seu tempo, pois todas elas passam debaixo do céu, segundo o termo que a cada uma delas foi prescrito; há tempo de nascer e tempo de morrer; há tempo de guerra e tempo de paz; há tempo de perder e tempo de ganhar. Acredito que esta é nossa hora. Deus proverá”, disse ele.

Guedes ainda falou até o terceiro dia de internação. No dia 19 deste mês ele deu entrada na UTI do Hospital Santa Juliana com infecção generalizada. Um dos últimos pedidos feito foi atendido pelos familiares: ser sepultado ao lado da mãe, Rita Guedes, no sitio Cafuas não me deixes, de sua propriedade.

- Um revolucionário, homem que tinha um coração como o de São Francisco, dava de comer a quem aparecesse, relatou o ativista Eudes Lustosa. Para o deputado estadual e vice-presidente da Assembléia Legislativa, Helder Paiva (PR), “Edvaldo foi uma figura diferente, que lutou pelos seus ideais”. Paiva representou a Assembléia Legislativa, acompanhado de diretores do Sindicato dos funcionários públicos do poder legislativo, fez sua homenagem aquele que foi assessor jurídico da Aleac.

- Andei com o Edvaldo no tempo em que fundamos a Juventude Democrática Socialista (JDS), junto com Edmundo Pinto, o Edvaldo Magalhães, na luta pela democratização. É essa a lembrança que guardaremos de Guedes – acrescentou o deputado.

Livio Veras Pinto também esteve presente ao velório levando o carinho da família de Edmundo aos filhos e familiares presentes. Alunos da FIRB/FAOO, onde Guedes fazia o curso de direito, também enviaram coroa de flores como homenagem da turma.

Segundo sua irmã, Elizabeth Guedes, que chegou nesta madrugada de São Paulo, um dos únicos anos que Guedes não fez checape foi 2009. “Ele disse que estava muito bem, não iria por enquanto fazer exames”, informou.

Sua ex-esposa, Laci Oliveira, disse que o agravamento do quadro clinico se deu pelas pedras na vesícula.

- Com a doença, surgiram outras complicações como diabetes, próstata e a paralisação dos rins – acrescentou Laci.

A transferência para a Fundação Hospitalar, segundo Laci, foi para que Guedes fizesse sessões de hemodiálise, devido às complicações nos rins.

Guedes deixou dois filhos: João Batista e João de Deus, que cuidarão do patrimônio do pai, inclusive, o de criação de jumentos ainda existentes na Chácara Cafuas não me Deixes localizada na estrada Transacreana.

- Vamos cuidar daquilo que ele mais nos pediu, mantendo sua tradição – disse João.

Outro pedido que será atendido pelos amigos é o de continuidade do grupo de auto ajuda iniciado por Edvaldo Guedes nos fundos de seu abrigo e a preservação dos carros de estimação, entre eles a Brasília amarela [que seria utilizada na campanha desse ano].

Jairo Carioca - Da Redação de ac24horas
js.carioca@hotmail.com

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