Agricultor aparecer após 20 dias perdido na floresta

terça-feira, 16 de março de 2010

O agricultor Antônio José Firmino da Silva, 28, que estava desaparecido desde o dia 21 de fevereiro, conseguiu sair da floresta nesta sexta-feira, 12. Após 20 dias no meio do mato, comendo palmito e frutas, Tonhão, como é chamado pelos amigos da comunidade Novo Acre aonde mora, chegou à casa de um morador no rio Valparaíso.

O agricultor contou que saiu para caçar e se perdeu na densa floresta da comunidade Novo Acre, no rio Liberdade, ao perseguir um bando de porcos. Segundo ele saiu na captura dos animais e conseguiu matar três, mas após tirar o couro dos porcos, tentou pegar o caminho de volta e não encontrou mais.

“Na ida observei que atravessei apenas um igarapé. Quando fui retornar passei pelo mesmo igarapé e mais na frente atravessei outro. Daí, já não encontrei o caminho de volta” –disse Tonhão.

Os amigos ainda realizaram várias buscas na floresta, mas não conseguiram encontrá-lo. Uma turma de moradores da comunidade passou vários dias à procura, efetuou disparos como sinal para tentar localizar o colega, mas ele não chegou a ouvir o alerta.

Tonhão afirmou que nos dois primeiros dias chegou a entrar em desespero, mas não desistiu de buscar a saída e tentou seguir em várias direções. A luz no fim do túnel surgiu no quinto dia quando chegou à margem de outro igarapé e, segundo ele, começou a acreditar que se seguisse a descida da água poderia chegar a alguma comunidade.

Foi assim que o agricultor que levava apenas uma espingarda com um cartucho carregado e uma lanterna, conseguiu chegar a um povoado no rio Valparaíso. Durante todo o tempo ele se alimentou de uma fruta que os povos da floresta chamam de Golosa ou jenipapo, de goiaba do mato e cocão. Para dormir o agricultor afirmou que procurava sempre o tronco de uma árvore. “Tirava umas palha e cercava o tronco para proteger do frio e dos animais, mas não conseguia dormir devido o tanto de carapanã” – disse.

Tonhão afirmou que, durante a aventura, o que mais chamou sua atenção foi à quantidade de animais silvestres que encontrou pelo caminho. “Vi bandos de anta, de porcos, de queixado, jabutis, muitos veados e outros animais. Nunca imaginei que existisse tanta caça como eu encontrei. Mas, ainda bem que não encontrei nenhuma fera. O único animal perigoso que vi foi uma cobra surucucu, mesmo assim eu matei” – afirmou.

Ao chegar à comunidade no Rio Valparaíso, Antônio José foi bem recebido por morador que pediu auxilio ao presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. João Nascimento, o Todo Feio, fez o resgate de Tonhão na madrugada de sábado e pela manhã levou o agricultor ao Pronto Socorro para uma avaliação médica. O rapaz chegou à cidade ainda debilitado, com cicatrizes pelo corpo e os pés bastante inchados.
“Agora vou demorar muito tempo para fazer outra caçada, mas preciso ir porque lá quem não caça não come, mas só vou sair para perto de casa” – declarou Tonhão.

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